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Interview: A Revolutionary Fashion Designer in Her Own Words


The Homegirl Project interviewed stylist and fashion consultant Bia Loren about empowering the favela through fashion. To make this story more accessible, it is available in both English and Portuguese.


interview and translation by Helena Barros





HB: Who is Bia Lore, in your own words?


BL: I am Bia Loren, personal stylist and fashion consultant for C&A, I am 22 years old and the idealizer of the It Gueto project. I live fashion and do my best to be fashion everyday.


HB: In your opinion, why is the empowerment of the favela so important regarding self-esteem and fashion?


BL: The greatest majority of the favela population is black, and the redetermination of fashion and beauty stereotypes contributes to the strengthening and elevation of this part of the population’s self-esteem, especially since they suffer from invisibility. From there came the concept of #ItGueto, which values the form of expression of the favela and transposes with creativity the scenery of scarcity, personalizing fashion trends to its reality.


HB: Where did the inspiration for #ItGueto come from?


BL: The hashtag came up when I noticed that I had created a unique style. I have always been interested in fashion, this universe had always been magical to me. But, since I didn’t have the resources necessary, I created my own. If I didn’t fit in the “Itgirl” pattern, I decided I would go and create my own. Bang!


HB: Was there something or someone that inspired you to use fashion as a tool to empower and celebrate the favela? If yes, who or what?


BL: I was born in Curuzu, the neighborhood with most of the black population, where Ilê Aiyê was funded (the first African-American block). There, everything inspires me! The people, the way that they talk, walk and dress, the creativity of the merchants, their lifestyle, there isn’t anywhere more inspiring than this place. I love it!


HB: Do you believe that your identity as a woman impacts your work? If yes, how?


BL: Fashion is a universe where women are a key element, they have always been. Nowadays, we are living in a world with gender deconstructions. The introduction of these diversities in every field actually makes being a woman in the fashion industry strengthening.”


HB: The biggest theme of the Homegirl Project is women empowerment. It this a topic that is present in your work and daily life?


BL: Yes, absolutely! In my work, there are actions in the perspective of women empowerment and recognition of their potential. I use my social media to manifest these ideas that are very important to me. The freedom that the female bodies show themselves in the favela is evidence to the natural elevation of these women’s self-esteem.”


HB: What is something that you would like to change in the world?


BL: I always joke when someone asks me that question. I tell them that if the Goddess gave me a magic wand I would make three wishes: that there would be love between people and nature, empathy, and equity above everything!”


PORTUGUESE

HB: Qual é o seu nome completo, profissão, idade e maiores interesses pessoais?

BL: Sou Bia Loren, Personal stylist e Consultora de moda da C&A, 22 anos, idealizadora do projeto IT GUETO. Eu vivo moda e me viro para ser moda todos os dias... segue o baile que lá embaixo tem história rs!


HB: Em sua opinião, por que é tão importante a reafirmação da favela em relação ao auto-estima e moda?


BL: A maioria da população de favela são negros e a ressignificação da moda e dos padrões de beleza contribuem para o fortalecimento e elevação da auto-estima dessa camada da sociedade que sofre com invisibilidade. Daí, o conceito de itgueto que valoriza a forma de expressão da favela e transpõe com criatividade esse cenário de escassez, personalizando tendências de moda para o seu mundo.


HB: De onde surgiu a sua inspiração para criar o It Gueto?

BL: A hashtag surge quando me dei conta de que havia criado um estilo original. Pois, desde sempre me interessei por moda, esse universo me encantava. Mas, como eu não tinha recursos, eu dava meu jeito. Se eu não me encontrava nos padrões "itgirl", eu fui lá e criei o meu próprio "bang"!


HB: Teve algo ou alguém que te inspirou para usar a moda como instrumento para levantar e celebrar a favela? Se sim, o que ou quem?


BL: Eu nasci no Curuzu, um bairro com a maior parte da população negra, onde foi fundada o primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê. Lá, tudo me inspira! As pessoas, o jeito delas de falar, de andar, se vestir, a criatividade dos comerciantes, o estilo de vida delas, não existe lugar mais inspirador que esse (será que existe? rs), amo aquele lugar!


HB: Você acredita que sua identidade como mulher influência no seu trabalho? Se sim, como?


BL: A moda é um universo onde a mulher é um elemento chave, sempre foi. Hoje em dia, vivemos as desconstruções de gênero e a introdução dessas diversidades em todos os campos e é, inclusive, por isso que ser mulher, nesse contexto da moda, só fortalece meu trabalho.


HB: O maior tema do Projeto Homegirl é empoderamento feminino. Este é um assunto presente em seu meio de trabalho e cotidiano?


BL: Sim, com certeza! No meu trabalho existem ações dentro dessa perspectiva de empoderamento da mulher e reconhecimento de suas potencialidades. Eu uso minhas redes sociais para manifestar essa postura que é pauta cara para mim. A liberdade como os corpos femininos se mostram na favela evidencia a elevação natural da auto-estima dessas mulheres.


HB: Qual é uma coisa que você gostaria de mudar no mundo?


BL: Eu sempre brinco quando alguém me faz essa pergunta rs, digo que se a Deusa me desse a varinha mágica eu faria três pedidos, que houvesse amor entre as pessoas e a natureza, empatia e equidade sob tudo!